A “Lei do VUC” mudou alterando tamanho e alguns horários. A ideia é facilitar a vida de quem precisa fazer entregas nos centros urbanos sem atrapalhar o caótico trânsito de São Paulo.

Em 1995 foram iniciados estudos para a criação de um veículo alternativo, um caminhão de menor porte que pudesse servir de alternativa aos transportadores nos locais com restrição.

Concebidos para servirem de alternativa para o transporte de mercadorias nos locais com restrição, o Veículo Urbano de Carga (VUC) e o Veículo Leve de Carga (VLC) foram regulamentados pelo Decreto Municipal nº 37.185 de 20 de novembro de 1997.

Inicialmente, o VUC foi definido com a largura máxima de 2,20m e comprimento de até 5,50m e com características de manobrabilidade semelhantes as dos veículos utilitários, caminhonetes e automóveis.

Depois de várias reuniões com o segmento de transporte de carga e com a Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir), a Prefeitura resolveu aumentar o comprimento do VUC de 6,30m para 7,20m, melhorando a eficiência no volume transportado. O VUC deixa de ser um transporte individual e passa atender de forma coletiva, ou seja, mais de um cliente por viagem e com uma maior taxa de ocupação da superfície carregável do veículo. Atualmente, existem cerca de 10.000 VUCs cadastrados na Prefeitura.

Novos horários

A nova regulamentação estabeleceu ajustes nos horários de determinadas vias com restrição, como a Marginal Pinheiros que “ganhou” duas horas, passando o horário de restrição anterior, das 4h às 22h, de 2ª a 6ª, para das 5h às 21h; e a Marginal Tietê, que no pico da tarde teve a circulação, antes liberada a partir das 22h, agora ajustada para a partir das 21h. No caso específico do VUC a maioria das regras foi mantida, apenas nos trechos que compõem a Radial Leste, em que antes a liberação ia das 10 às 16h, os VUC´s passaram a ser proibidos.

As regras para compra de um VUC estão estabelecidas na Portaria nº 031/16-SMT.GAB e a solicitação da Autorização Especial de Trânsito para Caminhões (AETC) para acesso aos locais restritos junto à Prefeitura, poderá ser feita no seguinte link: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/transportes/autorizacoes_especiais/transporte_de_carga/).

O solicitante (pessoa física ou jurídica) deverá fazer um cadastramento prévio, solicitar a Autorização Especial de Trânsito para Caminhões (AETC) com a entrega dos documentos básicos obrigatórios por meio da Caixa Postal nº 11.400, CEP 05422-970 ou pessoalmente no Setor de Autorizações Especiais-AE do DSV e, no prazo de 15 dias corridos, agendar a vistoria para emissão do Comprovante de Vistoria de Caminhões (CVC), especificando as dimensões do VUC, para subsidiar a análise do processo.

Segundo Alcides Braga, diretor da Anfir, com essas mudanças poderá haver algum percentual de substituição de produtos pelas transportadoras, o que deverá alentar um pouco as vendas do segmento de caminhões leves. “Todavia a indústria de implementos rodoviários depende da atividade da economia como um todo e o cenário atual impede que se faça qualquer estimativa”, afirma Braga.
Opções de mercado

As mudanças devem mesmo agitar o segmento de caminhões leves. Segundo João Herrmann, gerente de Marketing da MAN Latin America, o aumento das dimensões de comprimento acarreta uma diferença na distribuição de carga nos eixos. “Portanto, iremos recomendar aos implementadores que adequem suas carrocerias em caminhões com diferente dimensão de entre-eixos, nas configurações dos modelos Delivery que já possuímos como opcional em nosso portfólio”, explica Herrmann.

Essa mudança não reflete em alteração de capacidade de carga, pois esta é limitada na capacidade técnica do veículo. Porém, haverá um aumento de aproximadamente 4m3de capacidade volumétrica de uma carroceria baú, desde que não ultrapasse o limitante em peso de carga técnica.

Para a Iveco, a oferta continua a mesma. A única ressalva é que antes, para atender o segmento de VUCs, utilizava o entre-eixo de 3.750mm para o modelo 70C17 e agora usará o entre-eixo de 4.350mm, que já e padrão. “O que aumenta é o volume, aproximadamente de 3,5 a 4m3 a mais no volume útil que a legislação atual”, explica Osmar Hirashiki, diretor Comercial da Iveco. “Nossos já são dimensionados para atender a legislação”.

A Mercedes-Benz já oferecia ao mercado os veículos Accelo 815 e 1016 para aplicações VUC com distância de 3.100mm e 3.700mm, ambas disponíveis de fábrica. Nesta segunda configuração, os caminhões estão preparados para operar na cidade de São Paulo com a nova legislação.

Para o segmento VUC, a Mercedes-Benz traz o caminhão médio Accelo 1316, que para isso terá sua distância alterada para um menor comprimento, por meio do implementador.

“O modelo tem capacidade para carregar até 13 toneladas, o que permite que o veículo leve 800kg a mais de carga útil em comparação aos caminhões médios de marcas concorrentes”, compara Ari de Carvalho, diretor de Vendas e Marketing Caminhões da Mercedes-Benz do Brasil.

O atual portfólio de produtos oferecidos pela Agrale permite caminhões tanto de 6,3m como de 7,2m de comprimento máximo. A nova medida não altera os modelos existentes, que permanecem disponíveis para comercialização, apenas possibilita a utilização de veículo com maior distância, comumente comercializado a outros mercados sem restrições específicas de tamanho como era o caso do VUC, o que dará maior flexibilidade na venda.

Segundo Silvan Antônio Poloni, gerente de Vendas de Veículos Agrale, a aumento do tamanho dos VUC beneficia a capacidade volumétrica dos veículos, com ganhos em volume que podem chegar a ordem de 5m3. Para cargas de maior densidade, maior peso, mantém-se basicamente as mesmas capacidades de acordo com cada modelo de veículo.

O mesmo acontece com os produtos da Foton Caminhões que se enquadram na categoria VUC, apenas possibilitará a colocação de um baú maior que transportará mais carga dentro da legislação. A carga volumétrica dos veículos passa de 21m3 para 25m3.

O aumento de quase um metro no comprimento total acarreta uma nova distribuição de carga nos eixos do veículo. Isso resulta em uma alteração na recomendação do entre-eixo. A MAN já possui de 2 a 4 medidas de entre-eixos o que permite recomendar a dimensão correta para cada modelo de caminhão (ver tabela).

Os modelos Accelo 815 e 1016, da Mercedes-Benz continuam os mesmos. Portanto, a capacidade de carga também continua similar na faixa 3.500kg a 8.000kg. O ganho desses dois veículos foi em volume, com comprimento maior, de 6,3m para 7,2m. A Mercedes-Benz também tem grande variedade de produtos da linha Sprinter que estão preparados para atender o segmento de VUC em São Paulo, como as versões 315, 415 e 515 de chassi com cabinas e furgões.

“A alteração dará maior flexibilidade na escolha do produto dentre os entre-eixos existentes e disponíveis no portfólio de opções da Agrale e irá variar de acordo com o comprimento do implemento demandado pelo cliente”, explicou Poloni, da Agrale. “O aumento do tamanho dos VUC beneficia a capacidade volumétrica dos veículos, com ganhos em volume que podem chegar à ordem de 5m3. Para cargas de maior densidade, maior peso, mantém-se basicamente as mesmas capacidades de acordo com cada modelo de veículo”.

A Foton oferece os modelos Foton 3.5 – 11ST, Foton 3.5 – 11DT, Foton 3.5 – 14ST e Foton 10 – 16DT com de 3.360mm e 3.800mm. Este último passa a se enquadrar agora com a nova Lei do VUC.

As mudanças na legislação não alteraram as ofertas da Ford, pois os modelos Cargo 816 e 1119 estão 100% adequados a essa nova legislação com a oferta do de 3.900mm. Além deles, também se credenciaram os modelos da Linha F-4000.

Com o aumento do comprimento total de 6.300mm para 7.200mm a plataforma de carga tem um aumento de 790mm (5.090mm versus o anterior de 4.300mm), resultando num incremento de 18% na capacidade volumétrica de carga. Adicionalmente, a Ford tem um grande benefício para o cliente por contar com o Cargo 1119 que tem PBT de 10.510kg, o maior da categoria. Sendo assim, unimos o aumento de capacidade volumétrica com uma maior capacidade de carga do C-1119.

Boas vendas

É difícil precisar quantas unidades de VUC foram vendidas. Isso porque o VUC faz parte do segmento de caminhões leves. “Podemos entender esse mercado com base no volume dos caminhões de 5 a 11 toneladas comercializados, que em 2015 atingiram 24.061 unidades, 34% do mercado total de caminhões”, calcula Herrmann, da MAN. Nesse segmento, a Volkswagen Caminhões emplacou 7.014 unidades. Só o VW Delivery 8.160 emplacou 3.914 unidades, sendo o veículo mais vendido deste segmento. Na cidade de São Paulo, especificamente o segmento de 5 a 11 toneladas representou 49% do mercado de caminhões, emplacando em 2015, 1407 unidades, sendo 561 Volkswagen.

A Mercedes-Benz emplacou mais de 5.800 veículos leves no mercado brasileiro. “Para a aplicação VUC, não há como termos a certeza de quantos caminhões foram realmente vendidos e utilizados nesse segmento”, explica Ari Carvalho, da Mercedes-Benz. “Hoje, muitas empresas compram os caminhões com entre-eixos não aptos para VUC e fazem a mudança com implementadores. Em 2015, temos a estimativa de 300 caminhões Mercedes-Benz emplacados para o segmento VUC”.

“Como o VUC se aplica à legislação de São Paulo, praticamente todas as vendas feitas pela concessionária LCM que atende a grande São Paulo foram para aplicações VUC”, explica Alcides Cavalcanti, diretor de Vendas, Marketing e Pós-Venda da Foton Caminhões. “Isso representou cerca de 250 unidades em 2015. Para 2016, a expectativa é de repetir o mesmo número apesar da previsão de mercado menor”.

A Agrale lançou uma nova linha de caminhões com cabine compacta ideal para a aplicação VUC, em novembro de 2015, e considerando a sazonalidade de compra de final de ano e instabilidade econômica, os números deveriam ser melhores do que foram.

Em 2016, até o momento, o segmento de 5 a 11 toneladas já emplacou 5.412 unidades de todas as marcas. O caminhão mais vendido neste segmento é o Delivery 8.160 que já emplacou 1.096 unidades este ano. “Em São Paulo, os emplacamentos do segmento 5 a 11 toneladas já alcançaram, este ano, 516 unidades de todas as marcas, destes 362 unidades Volkswagen com 70% de participação de mercado”, calcula João Herrmann, gerente de Marketing da MAN. “O Volkswagen Delivery 8.160 já emplacou 295 unidades, líder absoluto com 57% de participação de mercado na cidade. A expectativa é manter essa performance”

A Mercedes-Benz está cada vez mais investindo no segmento de caminhões leves e conquistando novos clientes. No ano passado, a marca emplacou mais de 5.800 veículos leves no mercado brasileiro. “Para a aplicação VUC, não há como termos a certeza de quantos caminhões foram realmente vendidos e utilizados nesse segmento”, explica Ari de Carvalho.

Herrmann afirma que com essa alteração nos VUCs, os caminhões têm mais vantagens sobre as vans para aqueles clientes que precisam de mais espaço e capacidade de carga, os caminhões vão atender melhor as necessidades. “Por conta disso, esperamos sim ter ainda mais preferência dos clientes no momento de decisão de qual modelo comprar. Os Volkswagen Delivery sob medida para VUC se tornaram ainda mais atrativos para os clientes de São Paulo”, prevê o gerente de Marketing da MAN.

A Mercedes-Benz acredita no potencial de vendas para o segmento de caminhões leves, que garantem redução no custo operacional e agilidade para atender o transporte dos grandes centros urbanos.

“Com a mudança da legislação da prefeitura de São Paulo, há um potencial de vendas para a renovação de frotas nas aplicações VUC”, prevê Ari de Carvalho, da Mercedes-Benz. “Toda a nossa linha Accelo continuará oferecendo o maior comprimento de carroçarias do mercado, garantindo um caminhão ainda mais produtivo e atendendo o segmento de VUC. Além disso, há também um potencial de vendas por efeito de substituição de caminhões maiores e utilitários. Pode ser que haja algum aumento devido à substituição de caminhões de maior PBT por veículos de menor PBT com baús maiores”.

Considerando a alteração no tamanho do VUC e a nova linha de caminhões Agrale lançada no último trimestre de 2015 estima-se 10% de aumento nas vendas neste setor, segundo Silvan Antônio Poloni, gerente de Vendas de Veículos.

A Iveco emplacou no Brasil 1.614 veículos atendem o segmento dos VUCs e pretende manter esse mesmo volume em 2016. “A mudança na legislação beneficia mais o cliente”, afirma Hirashiki, da Iveco. “A partir de agora, o consumidor poderá ampliar a opção de versões de veículos que poderão ser utilizados, o que lhe permitirá tomar uma decisão mais alinhada com a necessidade do seu negócio”.

Em 2015, a Ford emplacou cerca de 500 unidades de caminhões semileves e leves na Grande São Paulo. Com as novas regras, a Ford espera que em 2016 consiga superar a participação de mercado de 2015 no segmento.

Para isso, aposta no credenciamento de mais modelos da Linha Cargo, atendendo a uma crescente demanda de clientes que buscam maior eficiência e capacidade de carga na área urbana da Cidade de São Paulo, com o investimento e custos de manutenção mais baixos em relação aos veículos urbanos com configuração 6×2.

Implementos

Quem não tem, ou quem tem e pretende fazer mudanças para enquadrar o VUC nas novas normas da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), deverá procurar um implementador que já está pronto para oferece a melhor opção em termos de aproveitar esse aumento de capacidade.

“Tanto para caminhões novos quanto para os aumentados para 7,20m, será necessário uma vistoria emitida pela CET para o caminhão poder rodar dentro da lei”, adianta o departamento técnico da Ibiporã. “Para os caminhões novos, as montadoras já irão entregar os chassis de forma que atendam à legislação”.

O grande benefício para os clientes é o aumento na capacidade de carga, diminuindo assim a quantidade de caminhões nos centros urbanos. O ganho será apenas em termos de volume, pois o peso bruto total permanece três toneladas.

Os produtos do Grupo Ibiporã, irão se adaptar à nova legislação aproveitando ao máximo esse ganho de volume, inclusive fazendo adaptações em veículos de clientes com as dimensões anteriores e terão ganho cúbico de volume. Essa alteração só será viável de acordo com o número de viagens que o cliente realiza em um dia.

VUCs liberados

Os VUC´s estão liberados em período integral na ZMRC, ZERC e VER´s Marg. Pinheiros, Marg. Tietê e Vias Morumbi. São PROIBIDOS nas VER´s na Av. Paulista, Av. Rebouças, Av. Eusébio Matoso, Av. Prof. Francisco Morato, Av. Nove de Julho, Av. Cidade Jardim, Av. São Gabriel, Av. Santos Dumont, Av. Tiradentes, Av. Prestes Maia, Passagem Tom Jobim, Av. Rio Branco, Av. Sen. Queirós, Av. Ipiranga, Av. São Luís, Vd. Nove de Julho, Vd. Jacareí, R. Maria Paula, Vd. Dona Paulina, Av.23 de Maio, Av. Rubem Berta, Av. Moreira Guimarães, Av. Alcântara Machado, R. Melo Freire e Av. Conde de Frontin, vias essas em que o trânsito só está liberado fora dos horários de restrição, ou seja, das 21h às 5h de 2ª a 6ª, aos sábados a partir das 14h, nos domingos e feriados.

 

* Essa matéria foi originalmente elaborada pela Revista Caminhoneiro, para ler essa reportagem e/ou outras da   Revista, acesse: http://revistacaminhoneiro.grupott.com.br